Anna Kendrick fala sobre "Scrappy Little Nobody"
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Anna Kendrick fala sobre “Scrappy Little Nobody”

Anna Kendrick não gosta muito de ser entrevistada. Você não conseguiria perceber isso pela sua voz, que é amigável e espevitada, ou pelas suas respostas, que são atenciosas e envolventes. Na verdade, apesar de ninguém ter a ilusão de que atores gostam de conceder entrevistas, não temos como dizer que Kendrick odeia todo esse processo, exceto por um pequeno detalhe — ela menciona isso em seu livro, Scrappy Little Nobody.

“Acabamos de nos conhecer!” Kendrick confessa no seu livro de memórias. “Eu teria que ser louca para ficar ‘animada’ em conversar com um estranho sobre mim mesma, sabendo que eles planejam fazer com que todas as minhas palavras estejam disponíveis para todos os outros humanos do planeta.”

Ela também menciona querer mastigar o seu braço fora ao pensar em ter que fazer isso. Eca.

“O quê? Eu não sei do que você está falando,” Kendrick inocentemente provoca, quando essa passagem do livro é mencionada. “Na verdade, esse é o meu objetivo, deixar os jornalistas nervosos.”

Missão realizada com sucesso.

Scrappy Little Nobody é repleto de anedotas pontualmente precisas e autodepreciativas — está claro que Kendrick não quer ser levada muito a sério. ( “Nossa. Será que agora, na minha página do Wikipédia, vai estar escrito autora? Isso vai fazer com que eu pareça tão (beep).”) Promover um filme é completamente diferente do que promover um livro.

“Não importa o tipo de divulgação que está fazendo, é quase um exercício narcisista. Você começa a odiar o som da sua própria voz e quer conversar sobre qualquer coisa, menos sobre si mesma, e é a partir daí que começa a falar sobre o filme,” Kendrick disse, explicando como promover Scrappy é até mesmo pior do que promover um filme. “É incrível a rapidez com que fico entediada com esse tópico. Eu, definitivamente, acho que levo para o lado pessoal mais rapidamente. Talvez seja pelo fato de que, se estiver promovendo um filme e alguém me perguntar sobre o meu primeiro namorado, posso responder, ‘Isso não é da sua conta.’ No entanto, agora eu acho que tenho que entrar no assunto. E a culpa é minha.”

Scrappy começa com Kendrick convidando o leitor a entrar dentro da sua mente e adverte que “a loucura quer sair.” Ela não deixa nenhum assunto de fora, desde a sua infância precoce, namoros, até a sua nomeação ao Oscar. Ela diz que a sua parte preferida das premiações é quando chega em casa e come macarrão com queijo, troca seu traje por um moletom, mas continua com as joias. Ela coloca um episódio de 30 Rock (alguns de seus favoritos incluem o episódio Jackie Jormp-Jomp ou “qualquer um com Devon Banks”). Exceto os diamantes de milhares de dólares, ela parece bem normal.

Isso não significa que Kendrick não toca em assuntos mais pesados. Um dos seus mais sinceros conselhos em Scrappy Little Nobody é uma desconstrução da palavra “agradável”, sugerindo que ela prefere almejar qualidades como intensa, forte ou inteligente.

“Na verdade, eu acabei de sair de uma reunião sobre um filme, eu disse à entrevistadora que alguém que eu conhecia a havia descrito como agradável e ela meio que revirou os olhos,” ela disse. “Na mesma hora eu disse, ‘Ai, meu Deus, é exatamente assim que eu me sinto!’ É uma das afirmações mais genéricas. Apenas significa que alguém é tolerável. É uma daquelas palavras que não significam nada. Eu sinto como se tivesse que lutar contra isso para conseguir o que eu quero. Tendo em vista que pedir o que você quer não é visto como agradável, o que é tão bizarro. Porque, na teoria, isso significa que pessoas agradáveis — principalmente mulheres agradáveis — não precisam de nada, não querem nada. ‘Estou bem. Estou bem.’ Então alguma vezes eu penso, ‘Eu acho que você está confundindo ser agradável com ser pouco exigente.’ E eu, definitivamente, não sou pouco exigente. Eu tenho tudo o que eu quero.”

Nem agradabilidade ou pouca exigência tornaria o processo de escrever um livro mais fácil para Kendrick. Uma amante declarada de estruturas e regras, ela teve que criar um sistema para conseguir terminar o trabalho. Por quarenta e cinco dias, ela se trancou na sua casa com uma autoimposição de escrever, pelo menos, duas mil palavras por dia. O resultado? Oito laudas por dia, por quarenta e cinco dias.

“Não vou mentir para você, foi, realmente, muito difícil,”  Kendrick disse.

Outro aspecto que ela precisou se acostumar foi com a natureza solitária da escrita. Após anos no cinema, sendo constantemente cercada por outros na construção da sua arte, escrever sozinha pareceu um pouco maluco.

“Houve dias em que eu pensei, ‘Ai, meu Deus, eu não consigo acreditar que não estou cercada por um um supervisor de roteiro detalhista ou um cara suado que cuida do microfone,” Kendrick disse. “Eu tive a oportunidade de ficar na minha casa e criar algo sozinha. Algumas vezes isso parecia ser ótimo. E outras, eu pensava, ‘Eu vou colocar fogo em mim mesma.'”

Kendrick também admitiu ter sido um pouco paranoica na questão de mostrar à outras pessoas algumas páginas antes de ter terminado completamente, uma decisão que, se pudesse fazer tudo de novo, mudaria. (Ou se fosse escrever outro livro. Mas podem esperar sentados — ela está convencida de que para ser uma escritora é preciso ser “clinicamente louca”).

“Eu não recebi muitas contribuições externas e eu queria que tivesse, só assim eu não ficaria conversando demais na minha cabeça, porque eu penso demais — não sei se já deu para perceber,” ela disse. “Eu acho que isso teria me ajudado. Quando preciso tomar decisões, definitivamente, me torno um monstro do pensamento excessivo.”

Talvez tenha sido melhor ela não ter recebido conselhos. No livro, Kendrick confessa, logo de cara, que a sua mãe queria que ela incluísse mais anedotas que mostrassem o seu lado bom, mas, até mesmo com uma arma metaforicamente apontada para sua cabeça, ela não compartilharia essas histórias.

“Não, eu, literalmente, não posso te contar, porque isso faria com que eu parecesse… Porque, eu sei que, ao menos uma ou duas vezes, alguém faz algo angelical, altruísta e fofo na vida, mas quando você diz isso em voz alta soa tão patético e presunçoso,” Kendrick disse. “Eu ficaria envergonhada se tivesse que dizer, ‘Então, teve esse dia que eu fui a criatura mais incrível e generosa.’ Eu tentei pensar em uma forma de exemplificar no livro, sem parecer uma idiota, mas simplesmente não consegui. Toda vez que eu tentava escrever uma dessas histórias eu acabava achando muito esquisito.'”

No entanto, por baixo de toda essa autodepreciação e anedotas sobre a vida de celebridade e, apesar de Kendrick ter se recusado a seguir o conselho de sua mãe, família é a essência de Scrappy Little Nobody. Kendrick está esperando a opinião de um membro da família em particular: o seu irmão, Mike, à quem o livro é dedicado. Dois anos mais velho que ela, ele serviu de inspiração para o título do livro, a levou para testes de elenco em New York e ofereceu-a sua primeira cerveja. Kendrick disse que apenas recentemente o enviou uma cópia do livro (com alguns capítulos destacados), mas ainda não obteve resposta.

“Eu falo tanto sobre ele, ele provavelmente irá amar,” ela brincou. “Aquele idiota.”

Fonte: Redeye.

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